sexta-feira, 7 de julho de 2017

Preciso de uma cobaia! Pode ser...?


 Série Ensaios: Ética no Uso e Bem-Estar-Animal



Por Lucas Bomfim Marques

Acadêmico do curso de Pós Graduação em Educação Ambiental e Conservação da Natureza.



Um caso muito conhecido e que teve grande repercussão na mídia, foi o do Instituto de Pesquisa Royal, onde um grupo de manifestantes invadiu o centro, pois receberam informações falsas que o local maltratava animais em teste para medicamentos, cosméticos e até com produtos de limpeza. Isso acabou com cerca de 20 anos de pesquisas, que futuramente traria benefícios para a humanidade.



Os animais sempre estiveram presentes na evolução humana, servindo como fonte de alimentos, animais domésticos e até mesmo objetos de estudo. A maioria das coisas que sabemos nas questões que envolvem o uso de medicamentos veio através de estudos realizados em animais, sendo que o cachorro e macacos são os exemplares mais utilizados. Com o passar dos anos isso foi mudando, devido à criação de vários conselhos para proteção de animais. No Brasil a Lei Arouca regulamenta a forma de como e quando animais podem ser usados em pesquisas por universidades e centros de pesquisa, porem esses centros ainda deve possuir vínculo com o conselho nacional de controle de experimentação animal (CONCEA).

Da mesma forma como a tecnologia tem nos acelerado sempre, ela também tem ajudado nas pesquisas. Os experimentos já realizados com animais in vivo possuem um armazenamento de todos os dados possíveis até o momento. Evitando assim que novos experimentos desnecessários com animais sejam feitos, ou até mesmo repetidos. Já os novos experimentos devem passar por conselhos de éticas, sendo os testes realizados predominantemente em roedores, mas a maioria dos protocolos para que quaisquer medicamentos sejam liberados pelo Ministério da Saúde, devem realizar pesquisas em dois modelos diferentes de animais, mamíferos.

Essa é uma questão que atualmente, tem mexido muito com as pessoas. Utilizar ou não animais em pesquisas cientificas para testes de medicamentos e cosméticos? O professor Marcelo Morales da UFRJ, deu uma entrevista para o Portal dos Fármacos, que “não há pesquisa sem animais”. Mesmo que isso soe um pouco desnecessário, levando em conta a evolução da tecnologia, a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), estabelece como protocolo que os medicamentos devem ser testados em animais sim. Já quando se fala nos cosméticos, isso já não há mais necessidade, pois os testes são feitos diretamente com métodos alternativos, como tecidos sintéticos, e até mesmo materiais coletado de animais mortos em atropelamentos, por exemplo. E esses testes realizados com animais vivos voltados para o mercado de cosméticos já não há mais necessidade.

A principal questão sobre a reprovação, da maioria da população na utilização de animais em pesquisa, esta focada no sofrimento desses animais. É levado em conta também a quantidade de testes realizados e a quantidade de exemplares utilizados, para resultados que ainda, apresentam pouco efeito, em curto prazo.

Sempre me posiciono a favor da utilização de animais em experimentos que realmente tenham objetivos certos. Como várias pessoas questionam dizendo que não há necessidade, mas os pesquisadores sabem que cada organismo pode sim responder de formas diferentes, levanto a possibilidade da pessoa se oferecer como “cobaia” para o experimento, ai que vem a resposta da pessoa alegando que há outras formas. Realmente existem, porém são bastante caras e em nosso pais pesquisas serias que não tem como o objetivo o lucro, pouco recebem incentivo públicos ou privados.

Um bom exemplo disso ocorreu recentemente com o caso da famosa pílula do câncer, em que pesquisadores da USP de São Paulo, estavam a mais de 15 anos realizando estudos, foram barrados de colocarem seu medicamento em circulação. Muitas pessoas utilizam essa forma como último recurso e fizeram o uso do medicamento. Porém como dito anteriormente, esse medicamento não possuía testes autorizados pela ANVISA e outros conselhos. Sendo assim o medicamento vai ser produzido fora do país, e em um futuro breve será vendido aqui. Quem perdeu e vai continuar perdendo é a população, pois empresas com acabam interrompendo suas atividades, e mudando para outro país, trabalhadores perdem suas rendas, medicamentos mais caros, e no quesito pesquisa o país não consegue romper.

Eu como futuro conservacionista e Educador ambiental acredito que o ocorrido no Instituto Royal, foi uma perda muito grande para o setor científico. Pois foram anos investidos em pesquisas e estudos que visavam melhorar o bem estar de pessoas, muitas dessas passando por problemas graves de saúde. E que agora terão que aguardar um período maior para que essas pesquisas retornem. Sabemos que as pessoas são movidas a sentimentos, e os pesquisadores também são pessoas, que procuram ao máximo minimizar o sofrimento dos animais em testes. E o ocorrido no instituto foi realmente a falta de informação. Muitos dos animais soltos pelos ativistas, hoje vivem aos redores do instituto como cães de rua, sem comida, sem água e sem um lar, aumentando o problema de zoonoses da região. Atitudes impensáveis que terão consequências futuras. Sendo uma delas a utilização de novos exemplares animais, para continuidade das pesquisas.



O presente Ensaio foi elaborado para Disciplina de Ética no Uso de Animais e Bem-Estar-Animal, tendo como base as obras:

http://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/2015/08/pesquisador-acredita-que-substancia-desenvolvida-na-usp-cura-o-cancer.html
http://www.portaldosfarmacos.ccs.ufrj.br/atualidades_animais.html
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11794.htm
http://www.mct.gov.br/
http://g1.globo.com/sao-paulo/sorocaba-jundiai/noticia/2013/10/ativistas-invadem-e-levam-caes-de-laboratorio-suspeito-de-maus-tratos.html
https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/116800/DICAS_SOBRE_COMO_ESCREVER_UM_ENSAIO.pdf?sequence=1
http://www.em.com.br/app/noticia/tecnologia/2014/01/27/interna_tecnologia,491975/conheca-alternativas-ao-uso-de-cobaias-vivas-na-pesquisa-cientifica.shtml
http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0009-67252008000200015

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Zológicos: Há uma questão ética a ser debatida?

Série Ensaios: Ética no Uso de Animais e Bem-estar-Animal

Por  Amanda Liara De Azambuja Corrêa Selivon
Acadêmica do curso de Conservação Ambiental E Educação Ambiental



Gostaria de começar salientando o caso da menina puxada ao tanque por leão-marinho que aconteceu, no final de Maio de 2017, quando a garota ignorou o animal que estava próximo e sentou em uma mureta, quando quase que instantaneamente o animal saltou, agarrando-a pelo vestido e a puxou para dentro, na cidade de Richmond (Columbia Britânica, Canadá). A menina ficou com uma marca possivelmente provocada pela mordida desse animal que contém uma bactéria chamada de Mycoplasma phocacerebrale, cujo deve ser tratada imediatamente com antibióticos. O pai da menina que pulou no tanque para salvá-la disse que aprendeu uma grande lição quanto a segurança. O que poderia ter impedido este incidente? Maior cuidado com a proximidade dos animais ao nosso redor, placas sinalizadoras para não se aproximar e respeitar certa distância, ou, até mesmo, uma proteção entre o ser humano e o animal.
    
 Os primeiros zoológicos foram criados em Viena em 1752, posteriormente em Paris em 1793 e Londres em 1826. Uma mentalidade que é originada desde os tempos dos egípcios, chineses e astecas que passaram a manter animais capturados em suas viagens presos em seus templos como símbolo social, de força e poder. A utilização de animais desde os primórdios dos tempos foi utilizado por motivos de lazer e diversão humana, sem princípios éticos. 
     As principais questões éticas a serem consideradas são o respeito a preservação da liberdade comportamental dos animais, mesmo em cativeiro, há programas como o enriquecimento ambiental, viveiros para convivência com outros animais presentes no mesmo bioma e nível moral para determinadas situações como a reprodução em laboratório e o desenvolvimento de espécies híbridas.    
      De acordo com os 340 membros da Associação Européia de Zoológicos e Aquários (EAZA) são regidos por um estatuto comum, e, teoricamente, tem como objetivos a conservação, a pesquisa científica e a educação ambiental. Porém ainda existem espaços, fora dos 1300 registrados em associações profissionais, que ficam a margem desse controle, com o único propósito de aumentar as visitas e os lucros. Grandes especialistas como o primatólogo e estudioso do comportamento animal Frans de Waal apontam que existem diferentes tipos de zoológicos, alguns que pela sua  utilidade podem ser  considerados “bons”. Os que não cumprem os padrões porque são pequenos, tem muita interação com o público, ou realizam pouco esforço pedagógico precisam ser fechados. Os bons zoológios aproximam as crianças da natureza e educam a respeito dos animais exóticos muito melhor que qualquer vídeo, além de conscientizar as pessoas do valor desses animais e podem ajudar na sua conservação.
   
  Alguns zoológicos como por exemplo o Zoo XXI, são a favor de planos de conservação in loco, criar um modelo de reprodução nesses espaços com um habitat para protegê-los, transformando a visão dos zoológicos atuais em uma nova perspectiva, através dos seguintes planos de ação:
·         Um zoológico que seja mais indígeno, com a criação de um centro de recuperação e educação para a vida selvagem.
·         Um zoológico que seja mais cívico; em que as decisões serão feitas a partir de comitê de profissionais da área em foco, instituições de sensibilização em favor dos animais nas cidades.
·         Um zoológico que seja mais divertido, equipado com fascinantes tecnologias visuais que permitem que você conheça melhor os animais se comportando de maneira natural em seu habitat.
·         Um zoológico que seja mais científico e mais educacional.

     Segundo Jesús Fernández, presidente da AIZA, a Associação ibérica de Zoológicos e Aquários, existem mais de 17.000 espécies ameaçadas de extinção e o trabalho do zoológico consiste em manter exemplares saudáveis de cada uma delas. A diretora do zoológico de Barcelona, Carme Lanuza, aponta o caminho com menos animais, menos espécies, mais espaço e um modelo mais fundamentado na conservação e na pedagogia.
   
  Um relatório sobre os zoológicos da UE elaborado pela Born Free Foundation, uma sociedade britânica que pesquisa a situação dos animais em cativeiro, concluía que apenas 0,23% dos animais enjaulados na Europa estão extintos na natureza, 3,53% estão em grave perigo de extinção e 6,28% em perigo. Por outro lado, também existem zoológicos modelares como o Gerald Durrell na ilha de Jersey, onde as estatísticas se invertem em até 90%. A instituição mantém projetos em 18 países e foi capaz de reintroduzir numerosas espécies como o mico-leão-dourado, a pomba-rosada da ilha Maurício, os morcegos da ilha Rodrigues, os íbis calvos de Marrocos ou espécies da fauna local de Jersey.
     Os zoológicos devem resgatar o conceito de preservação priorizando o bem-estar animal, sendo um local destinado a um sério aprendizado e estudo de espécies em risco de extinção, destinado a investigação científica e também com a função de abrigo para animais selvagens apreendidos por tráfico ilícito ou vítimas de maus-tratos.
          O Parque das Aves é um excelente exemplo de um novo modelo de Zoológico, além de ser um centro internacionalmente reconhecido de recuperação e conservação de aves, está localizado em meio a rica e exuberante Mata Atlântica, contemplando 1320 aves que abrangem cerca de 143 espécies diferentes. São 16,5 hectares de para formar o melhor habitat para os animais.
A Fundação Zoobotânica administra o Museu de Ciências Naturais, assim como o Jardim Botânico e o Zoológico de Sapucaia do Sul. Ela custa cerca de R$ 26 milhões por ano, o que equivale a 0,04% do total de gastos do Executivo. Entre as atividades, está o monitoramento das espécies em extinção no estado. A instituição também é a única a fornecer veneno de serpentes para produção de soro antiofídico no Sul do país. São 350 cobras. Acredito que neste sentido, falta muita ética em relação a conservação ambiental e é mais um claro exemplo da ação do homem tornando o assunto vulnerável e insignificante.
     Há uma Lei Federal 7173/83, de uma forma bastante ampla, impõe as dimensões dos Jardins Zoológicos e das respectivas instalações a fim de que atendam os requisitos mínimos de habitabilidade, sanidade e segurança de cada espécie, e, assim, possa suprir a demanda do público que busca vivência com o animal selvagem. Caso encontre comportamentos anormais, possa direcionar experiências negativas em forma de rejeição a instituição. Bem, como para programas de conservação que visem tanto a reintrodução, quanto a manutenção da reprodução de espécies em cativeiro.  Para ter acesso a lista de Zoológicos e Aquários do Brasil, a Sociedade de Zoológicos e Aquários do Brasil (SZB), cadastrou por regiões do Brasil.
            Eu como futura conservacionista e educadora ambiental acredito que estamos em um processo evolutivo bio sociologicamente na relação comportamental entre homem e animal. Desde os primórdios dos tempos houve uma busca racional da compreensão da natureza pelo homem, através de estudos com dissecação, vivisseção dos animais vivos. Ao longo do tempo, esta relação de visão e tratamento em relação aos animais foi se modificando, como por exemplo, com a decisão de uso de anestesia para experimentos em animais e procedimentos laboratoriais que evitam grandes sofrimentos na hora do abate. Portanto, mesmo após certa consideração, ainda hoje os animais são classificados juridicamente pelo Código Civil como coisa fungível e semovente nos casos em que possuam “proprietários” e no caso dos que não possuam, tornam-se sujeitos a apropriação de qualquer pessoa, podendo-se fazer o que quiser com o “objeto”apropriado.  “Não se pode ver como coisa seres viventes, pois tais elementos mostram a existência de vida não apenas no plano moral e psíquico, mas também biológico, mecânico, como podem alguns preferir, e vice-versa. O conhecimento jurídico-dogmático hoje encontra-se ultrapassado, não apenas em função de animais considerados inteligentes, mas sim em função de todos os seres sensientes, capazes de sentir, cada um a seu modo [...]” (CARDOSO, 2007, p.132) [sic]. Assim como o homem também encontra-se em evolução e continua na busca de um sistema adequado para a melhor forma de bem viver e se relacionar, acredito que com o caminhar da evolução conseguiremos unir tecnologia, meio ambiente e ética de uma maneira benéfica para todas as formas de vida.
           

O presente ensaio foi elaborado para disciplina de Ética no Uso de Animais e Bem-Estar-Animal, tendo como base as obras:

CARDOSO, Haydeé Fernanda. Os animais e o Direito: novos paradigmas. Revista Animal Brasileira de Direito (Brazilian Animal Rights Review), ano 2 - 2007, p.137.

Educação Ambiental e Uso de Animais: uma ferramenta necessária?

Serie Ensaios: Ética no Uso de Animais e Bem-Estar-Animal
Por  Tamires Diniz Bressan
Pós- graduanda do curso de Especialização em Conservação da Natureza e Educação Ambiental da PUCPR


No mês de maio, deficientes visuais atendidos pelo Centro de Reabilitação Vida Nova - entidade filantrópica mantida pelo Banco de Olhos de Sorocaba (SP) – puderam compartilhar de um "caça ao tesouro" inclusivo no Parque da Água Vermelha, onde os participantes puderam tocar em animais taxidermizados, possibilitando melhor compreensão da realidade ambiental e maior alcance de sensibilização. 
É sabido da grande importância da educação ambiental para conscientização acerca das problemáticas ambientais e aproximação das pessoas à natureza.  Muitas práticas pedagógicas vêm sido adotadas possibilitando essa aproximação e envolvimento da comunidade com o meio.   Contudo, algumas questões éticas são levantadas sobre o uso de animais nessas práticas.
 Uma ferramenta bastante utilizada é o uso de animais taxidermizados em palestras, visitas ou mesmo em sala de aula, como forma de despertar interesse e curiosidade, podendo ser abordados diversos temas acerca da fauna, importância, conservação, entre outros. No entanto há a necessidade de elucidar a importância desses animais, que um dia estiveram vivos, valorizando e respeitando-os no manuseio e atividades relacionadas. Além disso, há possibilidade de risco para as pessoas que os manipulam, já que algumas peças são preparadas com materiais químicos.

Outra atividade praticada são as visitas escolares a locais que propiciem uma vivência próxima aos animais, como por exemplo mini- fazendas. Porém, o aspecto de bem-estar animal deve ser levado em conta já que tais visitas tornam-se estressantes e exaustivas para os animais, geralmente estão expostos a muito barulho, manejo inadequado e algumas vezes a carga de trabalho.

Como futura conservacionista da natureza e educadora ambiental, acredito que atividades envolvendo  contato com a natureza são extremamente importantes para que ocorra a aproximação e sensibilização, bem como o desenvolvimento da afetividade e curiosidade sobre a fauna e o ambiente, proporcionando uma prática em que a visão sobre os animais não seja utilitarista e antropocêntrica, mas sim da expressão de sua biologia e sua importância no ecossistema.  Outras abordagens, que não         somente o uso de animais, podem ser empregadas à Educação Ambiental, como por exemplo trilhas, atividades lúdico-pedagógicas, teatros, brincadeiras, entre tantas outras que                                                             podem sensibilizar e aproximar as pessoas da natureza.

O presente ensaio foi elaborado para a disciplina Ética no Uso de Animais e Bem-Estar Animal, tendo como base as obras
Rocha, Eduardo Vemâncio; Sampaio, Adriany de Ávila Melo. PRIMEIRO ENSAIO SOBRE O USO DA TAXIDERMIA EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL: para pessoas cegas e de baixa visão. Disponível em: https://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=1&cad=rja&uact=8&ved=0ahUKEwif3vCk87vUAhWJjJAKHSd_Al8QFggnMAA&url=http%3A%2F%2Fwww.agb.org.br%2Fevento%2Fdownload.php%3FidTrabalho%3D1006&usg=AFQjCNEWoNdNhFYtTBjEsDq6golDgL3R1Q&sig2=pIy5-nDisDNKRLfwPvlc8A
Castellano, Maria; Sorrentino, Marcos. DEVEMOS APROXIMAR QUESTÕES SOBRE ÉTICA E DIREITOS ANIMAIS À EDUCAÇÃO AMBIENTAL? O QUE PENSAM EDUCADORES AMBIENTAIS BRASILEIROS SOBRE ESSE TEMA. Disponível em:  http://www.revistas.usp.br/pea/article/viewFile/131043/127474
Fischer, Marta Luciane, et. al. BIOÉTICA AMBIENTAL E EDUCAÇÃO AMBIENTAL: LEVANTANDO A REFLEXÃO A PARTIR DA PERCEPÇÃO. Disponível em: http://www.sbecotur.org.br/revbea/index.php/revbea/article/view/4939/3248

Brügger, Paula. Nós e os outros animais: Especismo, Veganismo e Educação Ambiental. Disponível em: http://periodicos.unb.br/index.php/linhascriticas/article/view/6409



Homens e mulheres: a mesma data de validade?

Série Ensaios: Sociobiologia
Por Heloisa Jark, Luiza Gremski De Oliveira E Rafaela Mara Machado
Acadêmicas do Curso de Ciências Biológicas
Neste ano, no mês de março o governo apresentou uma nova reforma da aposentadoria que apresentava mudanças. Atualmente, para quem se aposenta por idade (65 anos para homens e 60 anos para as mulheres) o tempo mínimo de contribuição é de 15 anos e quem se aposenta por tempo de contribuição o tempo mínimo é de 35 anos para homens e 30 anos para mulheres. Na proposta original a idade mínima para se aposentar será de 65 anos, para homens e mulheres, com pelo menos 25 anos de contribuição à Previdência. Mas, na prática, para receber 100% do valor, será preciso contribuir por 49 anos, mesmo que tenha atingido os 65 de idade. No ultimo relatório aprovado pela Comissão Especial da Reforma da Previdência na Câmara  ficou em 62 anos para mulheres e 65 anos para homens, com 25 anos de contribuição. Para o benefício integral ficou 40 anos de contribuição para atingir 100%. O valor da aposentadoria corresponderá 70% do valor dos salários do trabalhador, acrescidos de 1,5% para cada ano que superar 25 anos de contribuição, 2% para o que passar de 30 anos e 2,5% para o que superar 35 anos. Se a reforma for aprovada, segundo a Secretaria de Previdência, o governo deve deixar de gastar cerca de R$ 738 bilhões entre 2018 e 2027.
Maria Lúcia Pádua Lima é a favor dos servidores possuírem a mesma idade para se aposentar, segundo ela “expectativa de vida mais alta das mulheres justifica a mesma idade mínima, mas o maior problema do sistema é a desigualdade entre servidores do setor público e privado. A assimetria desse sistema constitui-se em fato inegável por ser composto por regras que induzem a desigualdades injustificáveis de tratamento entre cidadãos.”
Joana Mostafa é contra os servidores possuírem a mesma idade para se aposentar, e segundo ela “As normas de gênero oprimem a todos.  É notório, por exemplo, que são os homens as maiores vítimas de homicídios, acidentes de trânsito e alcoolismo.  Os homens enfrentam, mais que elas, a esfera pública extremamente violenta de nossas cidades e relações sociais.  Tal situação exige políticas públicas com um olhar especial, o olhar de gênero. Isto dá valor econômico ao sobretrabalho das mulheres e facilita seu acesso a uma renda na velhice, apesar de ainda haver desproteção de 22% entre as mulheres idosas, frente a 13% entre os homens.Acumulando as 8 horas semanais ao longo da vida laboral, as mulheres trabalham em média 5,4 anos a mais que os homens.  Portanto, está adequada a regra atual que diferencia em 5 anos as idades mínimas e os tempos de contribuição para aposentadoria.As mulheres estão em desvantagem no mercado de trabalho e acumulam mais afazeres domésticos, o que justifica uma regra diferente.Na Previdência Social ocorre o contrário.  A mulher que participa do mercado de trabalho se depara com uma taxa de desemprego 50% maior que a dos homens desde 1995, ganha 24% a menos que eles e, desde o início da série do IBGE, trabalha 8 horas a mais por semana, somando-se a jornada de trabalho fora e dentro de casa.  Este trabalho de cuidados com idosos, pessoas com deficiência, filhos e afazeres domésticos, não é remunerado, não gera proteção social.”
Na nossa sociedade, a maneira para desacelerarmos e termos um conforto de vida para cuidarmos da nossa vida pessoal nessa fase tão frágil é a aposentadoria. A aposentadoria em muitos países como o Brasil é uma meta para todos os cidadãos a partir do primeiro emprego.
Com o passar do tempo o corpo humano passa por mudanças exteriores e interiores. Cada célula pode ser considerada uma mini vida, ou seja, possui um tempo de vida e então morre e uma das principais mudanças ocorre nas nossas células, mesmo nossas células morrendo conseguimos criar novas células para recompor as que morreram. Porém a taxa de criação de novas células vai diminuindo com o passar do tempo, ou seja, envelhecemos.
O avanço da idade traz frequentemente problemas de saúde e algumas dificuldades na vida e o ritmo precisa desacelerar e a pessoa precisa se cuidar melhor e isso é da naturezaanimal.
Por outro lado, as comunidades do mundo animal necessitam de animais mais velhos para se manter. Estes possuem uma maior sabedoria de vida, auxiliando na estratégia de sobrevivência do grupo todo, e deste modo, da manutenção da espécie.
Na espécie humana, os idosos são a ponte entre gerações. Seu conhecimento, experiência e sabedoria são um legado para os jovens. Com o "envelhecimento" da população brasileira, tem-se falado muito da importância do bem-estar dos idosos. Em sociedades como a indiana e a japonesa, por exemplo, o velho é a figura mais importante da família e da comunidade. No Brasil, alguns sociólogos afirmam que, se um país precisa de um "estatuto dos idosos" (ou seja, de uma lei) para lembrar a respeitabilidade deles, isso indica que algo está muito errado... Por outro lado, há tantos privilégios sociais em torno da "terceira idade" (meias-entradas, ausência de filas, empréstimos especiais) que os "não velhos" se consideram prejudicados. As diferenças entre homem e mulher não se tratam apenas de machismo ou feminismo, essas diferenças vêm da nossa herança genética. Na natureza a fêmea e o macho possuem papéis diferentes e características sociais diferentes.
Desde o início, a mulher tinha o papel de cuidar da prole e proteger indiretamente os membros da comunidade, através dos cuidados como alimentação e saúde. O macho possuía o papel de sair para caçar alimentos e proteger diretamente a prole. Hoje em dia, no reino animal, esses papéis de mantem mais fiéis. Já na espécie humana, essas funções são notavelmente mescladas e muitas vezes trocadas. A mulher, que já possuía uma grande função de cuidar de seus filhos, ganha cada vez mais espaço também no mercado de trabalho. O sexo feminino possui uma variedade de funções, porque não abandonou sua função primitiva e adicionou outras que não eram de costume.
Os primeiros seres vivos apesar de bastante complexos tinham um ciclo de vida muito simples. Quando atingiam certo tamanho, seus genes eram duplicados e a célula se divide em duas idênticas à original. O resultado desse processo de divisão é que a célula deixa de existir sem deixar um "cadáver" para trás. As duas novas células incorporam todo o material que estava na célula-mãe. A "mãe" deixa de existir sem morrer e produz dois "filhos" a partir de seu próprio corpo, neste processo não existe sexo, as células não precisam de parceiros para se reproduzir. A morte, quando existe, é provocada por acidentes, quando uma célula seca ao sol ou o alimento acaba. A morte devida ao envelhecimento não existe. A morte destrói nosso corpo, mas não mata nossas células germinativas, que continuam sua vida em nossos filhos. Ela apareceu somente quando a reprodução sexuada surgiu no planeta, 2 bilhões de anos atrás, quase 3 bilhões de anos depois do aparecimento da vida. Nos últimos 2 bilhões de anos surgiram os seres vivos multicelulares, compostos por mais de uma célula. Nesses seres vivos, cada grupo de células tem uma função, uma parte digere alimentos (intestino), outra movimenta o corpo (músculos), outra faz circular o sangue (coração). As células germinativas, cuja função é fundir-se com as células de outro organismo e produzir um novo ser vivo, esse processo passa a incluir a morte programada. As células não germinativas, cuja função é garantir a sobrevivência das células reprodutivas, perdem o sentido após o nascimento dos filhos, envelhecem e têm sua morte programada. Nesse momento, é incorporado ao ciclo de vida dos seres multicelulares o cadáver, um corpo sem vida, que é o que associamos à palavra morte.

O presente ensaio foi elaborado para disciplina de Etologia tendo como base:



terça-feira, 13 de junho de 2017

Infidelidade: uma estratégia de sobrevivência ou prática pecaminosa?


Série Ensaios: Sociobiologia

George Willian e Sheron Cogo

Acadêmicos do Curso de Ciências Biológicas

 



Quando a questão é infidelidade, é quase impossível não nos depararmos com o limite entre o amor e o ódio. Sempre que casos de infidelidade acontecem, quero dizer, quando eles são descobertos e expostos a prova, o relacionamento é geralmente “sabatinado”, ou pela família, ou pelos amigos, vizinhos ou até mesmo por aqueles que só ouviram falar. A questão é, querendo ou não, sempre existe o traidor e sempre há a vítima. Nos últimos anos, um caso de infidelidade que se tornou bastante polêmico foi o possível romance envolvendo os atores Cauã Reymond e Isis Valverde durante as gravações da minissérie da Globo “Amores Roubados” em 2014, enquanto o ator Cauã ainda era casado com a atriz Grazi Massafera. Como a infidelidade não possui nacionalidade e nem precisa de passaporte, outro caso de grande repercussão foi entre o ator Robert Pattison e Kristen Stewart, que teria tido um caso com Rupert Sanders, diretor do filme “Branca de Neve e o Caçador” encenado pela atriz enquanto ainda estava em um relacionamento público com o Sr. Pattison. É interessante ainda comparar esses dois casos a medida em que no primeiro a traída foi uma mulher e no segundo um homem. Apesar disso, Isis foi muito mais julgada por ter se envolvido com Cauã do que o próprio Cauã por ter traído Grazi; o que não aconteceu no caso entre Kristen e Sanders, em que apenas Kristen foi alvo de polêmicos julgamentos pela infidelidade e Sanders pouco foi mencionado no escândalo. Considerando os dois casos mencionados, podemos perceber que existe um preconceito maior da sociedade em relação à traição da mulher do que por parte do homem.

Mas será que a infidelidade não faz parte de uma estratégia de sobrevivência? E a maior aceitação da traição masculina não está relacionada a isso?

O Comportamento social é a interação entre indivíduos da mesma espécie em suas diversas formas (Sampaio & Andery, 2009). Para que uma estrutura social se mantenha é necessária a existência de “regras”, que caracterizam a organização comportamental de uma população.  Essas organizações sociais surgiram como uma das estratégias de sobrevivência de algumas espécies que necessitavam de maior proteção e eficiência na realização de certas atividades, entre outras vantagens. Juntamente ao estabelecimento dessas organizações comportamentais, surgiram os padrões de comportamento reprodutivo de cada população.           De forma geral existem duas estratégias reprodutivas, a poligamia, em que há cópula com vários parceiros reprodutivos, e a monogamia, em que há formação de casais, temporários ou não, que só copulam entre si (Alcock, 2011).

Os casos de infidelidade nos humanos, assim como em animais, são devido a características evolucionistas e com bases genéticas, como demonstrado em vários estudos, onde, a adaptação para a sobrevivência da espécie se sobrepõe às relações entre casais, garantindo uma prole mais eficiente e com genes mais fortes. No caso da fêmea, se ela tiver filhotes com parceiros diferentes, isso promove o aumento da variabilidade genética da prole, o que é evolutivamente mais vantajoso para a espécie. Além disso, existem espécies monogâmicas em que a fêmea copula com diferentes machos como forma de proteção a seus filhotes, assim diferentes machos acreditarão que podem ser os progenitores dos filhotes e, portanto, não o matarão. Já no caso dos machos, quanto maior a quantidade de fêmeas com quem copulem, maior as chances de garantir que seus genes sejam passados adiante, assegurando também a perpetuação da espécie.

Existem ainda fatores genéticos relacionados a traição. Um estudo do Instituto Karolinska de Estocolmo afirma que um dos culpados pela infidelidade dos homens é um gene, o alelo 334, responsável pelo receptor da arginina-vasopressina (AVP), um hormônio que está presente no cérebro da maior parte dos mamíferos,produzido, por exemplo, através dos orgasmos (Walum et al., 2008). A testosterona, produzida 20 a 30 vezes mais em homens que mulheres, também pode estar por trás disso, sendo que a menor produção desse hormônio por mulheres pode estar relacionada a fidelidade. Entre os animais existem alguns relatos de espécies como pássaros, que criam seus filhotes e estabelecem uma longa relação, podendo eventualmente “trair” seu parceiro, mas sempre retornam aos seus ninhos e parceiros. É provável que os humanos possuam essa mesma tendência biológica.

O fato é, que quando a infidelidade é a questão, de um modo geral homens e mulheres reagem de maneiras bem diferentes. Os homens aparentam se incomodar mais com a infidelidade sexual por parte de suas parceiras, por outro lado, as mulheres aparentam se incomodar mais com a infidelidade emocional por parte de seus parceiros. Se considerarmos a famosa frase de Dobzhansky (1967) de que “nada na biologia faz sentido exceto à luz da evolução”, podemos inferir que, sob uma visão biológica evolutiva, a infidelidade sexual para os homens (machos) seria mais incômoda porque isso traria dúvidas em relação aos filhos (filhotes), em saber se os filhos são seus ou não, o que faria ele investir tempo e energia para a criação de filhos que podem não ser seus. Em relação as mulheres (fêmeas), a traição emocional seria mais incômoda por achar que os homens (machos) estariam investindo tempo e recursos na procura de outras fêmeas e no estabelecimento de uma nova família.

Desta maneira, podemos perceber que a infidelidade extrapola as premissas sociais, do certo e do errado ou daquilo que é pecaminoso. A infidelidade, dentro de um contexto biológico evolutivo, apresenta-se como uma estratégia reprodutiva, onde as escolhas dos pares sexuais são determinadas pela escolha de características genéticas, daquelas que mais se adequam a determinadas exigências do ambiente e que possam ser de particular interesse para a prole.

Assim, nós como futuros biólogos acreditamos que fazemos parte de uma cultura que impõe a monogamia e julga a infidelidade como algo imoral, antiético e pecaminoso, principalmente quando se trata do sexo feminino. No entanto, entendemos que a infidelidade é um padrão comportamental biologicamente natural, que dita comportamentos que levarão ao melhoramento da espécie e não na modulação da “sociedade perfeita” em detrimento de valores moralmente estabelecidos.

 

O presente ensaio foi elaborado para disciplina de Etologia tendo como base as obras:

ttps://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=klBCDQAAQBAJ&oi=fnd&pg=PR1&dq=ALCOCK,+J.+2011).+Comportamento+animal:+uma+abordagem+evolutiva.+Porto+Alegre,+Artmed+Editora,+XVII%2B+606p%5C&ots=WD3aY_ctJE&sig=2b-HQOQeiIgCY1pLJs6k6UOMmow#v=onepage&q&f=false
http://ki.se/en/news/link-between-gene-variant-and-relationship-difficulties
ttp://veja.abril.com.br/entretenimento/amores-roubados-o-bbb-de-grazi-caua-e-isis/
ttp://planejamentoemrrpp.blogspot.com.br/2008/05/estratgias-de-sobrvivncia-manuteno.html
http://www.mdig.com.br/index.php?itemid=13620
p://www.dicasfree.com/tipos-de-comportamentos-sociais/
ttps://www.dicio.com.br/regra/
https/www.significados.com.br/poligamia/
http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/historiageral/evolucionismo.htm
ttp://www.sobiologia.com.br/conteudos/Seresvivos/Ciencias/bioselecaonatural2.php
ttp://ki.se/en/startpage
ttp://z.clicrbs.com.br/rs/noticia/2008/09/estudo-diz-que-gene-e-um-dos-responsaveis-por-infidelidade-masculina-2157761.html
tps://pt.wikipedia.org/wiki/Testosterona
ttp://www.purepeople.com.br/noticia/isis-valverde-sobre-reconciliacao-de-caua-reymond-e-grazi-torci-muito_a20294/1
http://detetiveararaquara.com.br/2017/02/17/sobre-a-infidelidade/
http://www.obeabadosertao.com.br/v3/robert_pattinson_esta_decepcionado_com_a_traicao_de_kristen_stewart__6541.html